É aqui?
- Eu paguei cinco euros, mas parece que fora da época é quinze cada cão. Depois da vacina dos cães disseram que é obrigatório por o carimbo.
- Eu renovei a carta de caçador este ano.
- Olha, eu também. Gastei vinte contos.
- É uma patifaria isto! Não sei o que se faz em Portugal ao dinheiro! Antigamente havia guarda-rios, cantoneiro, barqueiro...
- Filhos da puta, não sabem o que fazem ao dinheiro!
- O 25 de Abril levou-nos tudo. O dinheiro. Tudo!...
- Pois é, havia de um vir um Salazar para cada Distrito. Você veja bem o que fazem aqueles lá na TVI por causa do outro. Estão lá a moer o nosso dinheiro. Saía e pronto!
- E na Casa Pia? Juizes para trás, Juizes para a frente e só gastam dinheiro. O nosso dinheiro!
- Está sol (Micas).
- Pois está. Está bô! Melhor que amanhã. Dá chuva.
- É o Vesúvio aqui (Micas)?
- Não, é Freixo de Espada, não, não é nada, é de Numão.
- De Mamão?
- Não caralho, de Numão!
- Ai, ai, ai, que sono...
- O Santana abandonou os olivais.
- Quem?
- O teu primo.
- Besabio?
- Não, Vesúvio.
- Aqui é uma estação?
- Estação, apeadeiro...
- Andam a podar. A vinha dá tanto trabalho...
- O quê? Não morra pela boca?
- Os diabetes da para morrer...
- Aqui é o quê?
- É Barigelas.
- É o quê?
- É um apeadeiro.
- Esta coisa dos incêndios destrói o arvoredo todo... É um prejuízo grande...
- Linda tarde.
- Diga?
- Linda tarde!
- De manhã esteve pior, chuva e vento...
- Há para ai muitos barcos, para baixo e para cima.
- Eles fazem esta viagem num dia?
- Fazem. Mas fazem paragens. A maior parte é estrangeirada: franceses e ingleses.
- Podia vir sol. Já chove há tanto tempo
- Que é que quer, é o Inverno.
- A minha filha está doente.
- É Alegria? (apeadeiro)
- Deve ser.
- Vais com sono?
- Aqui é o Tua, queres ir ao pão?
- Aqui não há. A esta hora não deve haver.
- Deve haver, está ali a mulher!
- Não, não há, é só de manhã.
- Vá, vai lá, mas tem que ser depressa!
- Esta é que é a Padeira de Aljubarrota...
- (tira a broa do saco. Tira a navalha do bolso do casaco)
- O senhor é servido?
- Obrigado, bom proveito.
- Eu renovei a carta de caçador este ano.
- Olha, eu também. Gastei vinte contos.
- É uma patifaria isto! Não sei o que se faz em Portugal ao dinheiro! Antigamente havia guarda-rios, cantoneiro, barqueiro...
- Filhos da puta, não sabem o que fazem ao dinheiro!
- O 25 de Abril levou-nos tudo. O dinheiro. Tudo!...
- Pois é, havia de um vir um Salazar para cada Distrito. Você veja bem o que fazem aqueles lá na TVI por causa do outro. Estão lá a moer o nosso dinheiro. Saía e pronto!
- E na Casa Pia? Juizes para trás, Juizes para a frente e só gastam dinheiro. O nosso dinheiro!
- Está sol (Micas).
- Pois está. Está bô! Melhor que amanhã. Dá chuva.
- É o Vesúvio aqui (Micas)?
- Não, é Freixo de Espada, não, não é nada, é de Numão.
- De Mamão?
- Não caralho, de Numão!
- Ai, ai, ai, que sono...
- O Santana abandonou os olivais.
- Quem?
- O teu primo.
- Besabio?
- Não, Vesúvio.
- Aqui é uma estação?
- Estação, apeadeiro...
- Andam a podar. A vinha dá tanto trabalho...
- O quê? Não morra pela boca?
- Os diabetes da para morrer...
- Aqui é o quê?
- É Barigelas.
- É o quê?
- É um apeadeiro.
- Esta coisa dos incêndios destrói o arvoredo todo... É um prejuízo grande...
- Linda tarde.
- Diga?
- Linda tarde!
- De manhã esteve pior, chuva e vento...
- Há para ai muitos barcos, para baixo e para cima.
- Eles fazem esta viagem num dia?
- Fazem. Mas fazem paragens. A maior parte é estrangeirada: franceses e ingleses.
- Podia vir sol. Já chove há tanto tempo
- Que é que quer, é o Inverno.
- A minha filha está doente.
- É Alegria? (apeadeiro)
- Deve ser.
- Vais com sono?
- Aqui é o Tua, queres ir ao pão?
- Aqui não há. A esta hora não deve haver.
- Deve haver, está ali a mulher!
- Não, não há, é só de manhã.
- Vá, vai lá, mas tem que ser depressa!
- Esta é que é a Padeira de Aljubarrota...
- (tira a broa do saco. Tira a navalha do bolso do casaco)
- O senhor é servido?
- Obrigado, bom proveito.

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